Female lab technician in protective glasses, gloves and face mask sits next to a microscope in laboratory.

Os biomarcadores como aliados no futuro da nossa saúde

Com os avanços da medicina diagnóstica, os biomarcadores prometem ser um aliado importante no futuro da medicina. Continue lendo e entenda o que é um biomarcador, suas principais aplicações e categorias e como eles podem fornecer informações valiosas sobre a nossa saúde.

 

Mas, afinal, o que é um biomarcador?

Segundo o FDA (Food and Drug Administration) – agência federal responsável pela proteção e promoção de saúde pública nos Estados Unidos) -, “um biomarcador é um indicador de um processo biológico normal ou um processo patológico ou como indicador de resposta à exposição a uma intervenção, incluindo intervenções terapêuticas”.1

Em outras palavras, podemos dizer que um biomarcador é qualquer parâmetro biológico mensurável que possa ser utilizado como um indicador que aponta o estado de alguma doença em particular ou de outro estado fisiológico em um organismo, e que pode nos responder dúvidas cruciais quando o assunto é a nossa saúde ou até de nossos familiares e pessoas próximas.

Quem nunca se perguntou se, por ter casos de câncer na família, seria mais suscetível a desenvolver a doença? Ou até ao seguir um determinado tratamento, se este seria, de fato, a opção com maior chance de um desfecho favorável?

As respostas para todas essas perguntas podem estar nos biomarcadores, os quais têm possibilitado aos médicos prescrever tratamentos cada vez mais personalizados aos seus pacientes.2

 

Biomarcadores na oncologia

Os biomarcadores desempenham um papel importante em todos os estágios do câncer, que inclui desde o seu diagnóstico até a previsão de resposta ao tratamento e monitoramento da progressão do tumor2.

A leucemia mieloide aguda que é doença agressiva e de rápida evolução3, é um tipo de câncer no qual a presença de mutações genéticas, como, por exemplo, a mutação no gene FLT3, funciona como um biomarcador determinante para compreender o prognóstico do paciente, uma vez que indica um quadro grave da doença.

O câncer gástrico é outro exemplo que, quando combatido por meio da chamada terapia-alvo – tratamento que tem como foco atingir moléculas especificas4 –, apresenta biomarcadores que são fundamentais para determinar a escolha do melhor tratamento, como o HER-2 e o PD-L1.

O famoso exame que mede os níveis de PSA (antígeno prostático específico) no sangue e compõe o protocolo de saúde masculina desde 1986, quando foi aceito pela FDA (Food and Drug Administration (FDA), é considerado um biomarcador na avaliação diagnóstica e no acompanhamento do tratamento de câncer de próstata2.

 

E suas aplicações não se limitam ao câncer

Durante a pandemia de covid-19, pesquisadores avaliaram os níveis de duas enzimas no sangue de 53 pacientes hospitalizados por covid-19, e concluíram que ambas poderiam indicar risco de mortalidade. Neste caso, as enzimas funcionaram como um “biomarcador prognóstico”, ou seja, aquele que identifica pacientes com diferentes riscos a um determinado desfecho5. Além de contribuir para um melhor entendimento dos mecanismos de atuação do coronavírus no organismo, o estudo também poderá ajudar a equipe médica na indicação de um tratamento mais adequado.

 

Como eles são detectados e quem deve testá-los?

Os biomarcadores podem ser medidos por meio de análises do sangue, fezes, urina, tecido tumoral ou outros tecidos ou até mesmo outros fluidos corporais. Além disso, exames de imagem e avaliações físicas também são utilizadas para se avaliar diferentes biomarcadores2.

Algumas das razões mais frequentes para investigar a presença de biomarcadores são2,5:

  • Existe uma doença genética na sua família e você quer saber se está em risco de desenvolvê-la ao longo da sua vida.
  • Fornecer informações para ajudar pessoas diagnosticadas com câncer a tomar decisões sobre seu tratamento.
  • Influenciar a elegibilidade para alguns estudos e pesquisas clínicas.

 

Quais são as diferentes categorias de biomarcadores?5

Entre os principais biomarcadores utilizados para o diagnóstico, prognóstico e desenvolvimento de drogas e tratamentos, estão:

  • Biomarcador prognóstico – usado para identificar, em algum paciente, o seu risco de desenvolver determinada doença ou predizer a evolução clínica (mais ou menos favorável) daquele paciente diagnosticado com determinada condição.
  • Biomarcador preditivo – usado para comparar o comportamento de indivíduos que apresentam um biomarcador-positivo versus os que possuem o biomarcador-negativo quando expostos a um produto médico ou agente ambiental e, assim, identificar, por exemplo, um grupo de pessoas que tenha uma maior probabilidade de se beneficiar com uma determinada terapia.
  • Biomarcador farmacodinâmico – usado para mostrar que uma resposta biológica, potencialmente benéfica ou prejudicial, ocorreu em um indivíduo que foi exposto a um produto médico ou agente ambiental. Serve para avaliar a atividade de um medicamento ou até para provar a eficiência de um novo princípio ativo.

Se você tiver qualquer tipo de dúvida, não hesite em buscar orientação médica. É importante sempre discutir assuntos relacionados a sua saúde com um profissional de saúde habilitado para isso. Trato feito?

 

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Fontes:

  1. FDA (Food and Drug Administration). Biomarker Terminology: Speakingthe Same Language. Disponível em: <https://www.fda.gov/files/BIOMARKER-TERMINOLOGY–SPEAKING-THE-SAME-LANGUAGE.pdf> Acessado em maio de 2022.
  2. National Library of Medicine (NIH). Cancer biomarkers. Disponível em: <https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC5528374/> Acessado em maio de 2022.
  3. ABRALE (Associação Brasileira de Linfoma e Leucemia). Manual de LMA. Disponível em <https://www.abrale.org.br/wp-content/uploads/2020/11/Manual-de-LMA.pdf> Acessado em fevereiro de 2022.
  4. Terapia alvo para câncer de estômago. Disponível em: <http://www.oncoguia.org.br/conteudo/terapia-alvo-para-cancer-de-estomago/1770/275/> Acessado em abril de 2022
  5. Quem deve fazer testes genéticos. Disponível em: <http://www.oncoguia.org.br/conteudo/quem-deve-fazer-testes-geneticos/8343/73/>
  6. FDA (Food and Drug Administration). About Biomarkers and Qualification. Disponível em: <https://www.fda.gov/drugs/biomarker-qualification-program/about-biomarkers-and-qualification> Acessado em maio de 2022.
Group of young pregnant women lying on yoga mats when tonning up muscles of pelvic floor

Fortalecer o assoalho pélvico antes da gestação pode prevenir incontinência urinária

Apesar de causar grande desconforto e ser pouco falado entre as mulheres acima dos 40 anos, a perda involuntária da urina é mais comum do que se imagina. Segundo o estudo Brasil LUTS, 45,5% das mulheres têm incontinência urinária[1], que pode ser causada por diversos fatores, entre eles a idade, a gestação e o trabalho de parto. A boa notícia é que a condição pode ser prevenida com um fortalecimento da musculatura do assoalho pélvico – conjunto de músculos responsáveis por sustentar a bexiga, uretra e útero.

Vivenciar esses sintomas após a gestação é sinal de alerta. Isso porque durante a gravidez, os músculos do assoalho pélvico precisam sustentar o útero com o peso do bebê em formação.

“Com o crescimento e encaixe do feto durante a gestação, o mecanismo de continência da mulher, bem como o esfíncter e a musculatura pélvica sofrem uma compressão, afetando a vascularização e a inervação da região e gerando lesão ou fraqueza da musculatura. Por isso, a gestação é considerada um fator de risco para incontinência urinária. Além disso, durante o parto vaginal pode haver uma lesão nas estruturas de continência e esfíncter, podendo gerar incontinência urinária no pós-parto”, explica o urologista Dr. Marcos Freire.

Nesse sentido, a fisioterapia pélvica pode ser uma grande aliada como medida preventiva.

“Nos casos de gestações planejadas é recomendado que a fisioterapia pélvica seja iniciada antes de engravidar e/ou durante a gestação. Dessa forma, o assoalho pélvico é fortalecido, ajudando a prevenir a incontinência urinária”, acrescenta Dr. Marcos.

Apesar de a gravidez ser uma das causas que podem levar as mulheres a terem incontinência urinária, obesidade e doenças que comprimem a bexiga também são fatores de risco, assim como a idade. A boa notícia é que tem tratamento. Hoje, existem diversos medicamentos com eficácia comprovada para casos de incontinência de urgência, especificamente. Em casos mais complexos, também é possível realizar procedimentos cirúrgicos minimamente invasivos, de baixo risco e rápida recuperação².

O grande desafio da condição é o diagnóstico.

“Falar sobre os sintomas do trato urinário, como a incontinência está no topo da lista dos tópicos que geram maior desconforto entre as pessoas, principalmente, entre as mulheres. Essa vergonha e estigma que gira em torno da condição pode retardar a procura por um urologista para que seja feito o diagnóstico correto. Por isso, é importante saber que a incontinência urinária pode ser tratada, a fim de melhorar qualidade de vida, autoestima e bem-estar, complementa o urologista.

 

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Fontes: 

  1. Wiley Online Library. The prevalence of lower urinary tract symptoms (LUTS) in Brazil: Results from the epidemiology of LUTS (Brazil LUTS) study. Disponível em: https://onlinelibrary.wiley.com/doi/10.1002/nau.23446. Acessado em 23 de fevereiro de 2022.
  2. Sociedade Brasileira de Urologia (SBU) – Portal da Urologia. 6 perguntas sobre incontinência urinária. Disponível em: https://portaldaurologia.org.br/publico/faq/6-perguntas-sobre-incontinencia-urinaria/. Acessado em: 23 de fevereiro de 2022.